Por que Jane Austen continua tão atual? Conheça 5 temas presentes em seus livros e descubra por que suas personagens ainda despertam identificação.

Porque nem só de maternidade e organização da casa vive uma mulher, certo? Por isso, estamos inaugurando hoje a nossa aba “cultura” para que você, mulher, mãe, dona de casa e trabalhadora também possa se alimentar de conhecimentos de história, arte e de mundo que são tão necessários para nos manter muito bem informadas e enriquecer nosso repertório!
Vamos começar falando sobre essa grande escritora que marcou gerações com suas obras literárias e que nos trazem reflexões e contribuições muito importantes para nossas vivências, mesmo depois de tantos anos.
Seu nome é Jane Austen, essa bela moça que você pode ver na imagem acima. Talvez você já tenha ouvido falar sobre ela, mesmo que de forma indireta.
Talvez tenha visto Orgulho e Preconceito em uma lista de clássicos, assistido a alguma adaptação para o cinema ou simplesmente reconhecido o nome de Elizabeth Bennet.
Mas por que uma escritora inglesa que morreu há mais de 200 anos continua despertando tanto interesse?
A resposta não está apenas nas histórias de amor…
Jane Austen escreveu sobre casamento, dinheiro, família, reputação, expectativas sociais e sobre as escolhas disponíveis para as mulheres de seu tempo.
E, quando começamos a olhar para seus livros por esse ângulo, percebemos que eles são muito mais atuais do que parecem.
Antes de tudo: quem foi Jane Austen?
Jane Austen nasceu em 1775, na Inglaterra, e morreu em 1817, aos 41 anos.
Durante sua vida, publicou quatro romances completos e teve outras obras publicadas posteriormente.
Seus livros mais conhecidos são:
- Razão e Sensibilidade;
- Orgulho e Preconceito;
- Mansfield Park;
- Emma;
- Persuasão;
- A Abadia de Northanger.
Curiosamente, seus primeiros romances publicados não traziam seu nome na capa. Razão e Sensibilidade, publicado em 1811, apareceu como escrito “por uma Lady”. Jane Austen só se tornou publicamente conhecida como autora depois de sua morte.
Talvez o mais interessante não seja saber quem foi Jane Austen. Mas, perceber o que ela observava.
Por isso, vamos elencar aqui 5 temas atuais sobre os quais sua obra discorria.
1. Casamento não era apenas uma questão de amor
Hoje podemos imaginar o casamento principalmente como uma escolha afetiva.
Nos romances de Austen, porém, casamento e segurança financeira aparecem frequentemente ligados.
Para muitas mulheres de sua época, as possibilidades de independência econômica eram bastante diferentes das que temos hoje. Por isso, escolher com quem se casar podia envolver muito mais do que paixão.
Em Orgulho e Preconceito, por exemplo, Elizabeth Bennet não está simplesmente procurando um marido.
Ela precisa lidar com uma sociedade em que casamento, dinheiro, posição social e reputação estão profundamente relacionados.
Portanto, é justamente aí que a história fica interessante.
Elizabeth não quer simplesmente “casar bem”. Ela quer poder respeitar a pessoa com quem vai se casar.
Essa diferença é fundamental para entender sua personagem.

2. Elizabeth Bennet não é interessante apenas porque rejeita Mr. Darcy
É comum resumir Orgulho e Preconceito à história de Elizabeth e Darcy. Mas Elizabeth é uma personagem interessante por motivos que vão muito além do romance.
Ela observa as pessoas, questiona comportamentos, tem senso de humor e muda de opinião quando percebe que estava errada.
E, principalmente, não aceita facilmente que outras pessoas decidam o que ela deveria pensar.
Isso torna Elizabeth uma personagem muito mais complexa do que a imagem da jovem que simplesmente “não queria casar”.
Seu amadurecimento acontece justamente quando ela percebe que também precisa questionar seus próprios julgamentos.
Afinal, Orgulho e Preconceito não fala apenas sobre o orgulho de Darcy. Também fala sobre os preconceitos de Elizabeth.
3. Dinheiro aparece o tempo todo — mesmo quando ninguém fala diretamente sobre ele
Uma das coisas mais interessantes nos livros de Austen é como o dinheiro está presente nas relações.
Quem possui uma propriedade? Ou depende de uma herança?
Quem pode escolher não trabalhar? Ou precisa se casar?
Quem tem uma determinada posição social?
Essas perguntas ajudam a entender os personagens.
Em Mansfield Park, por exemplo, questões de família, riqueza e posição social fazem parte da estrutura da narrativa.
Austen não precisa fazer longos discursos sobre dinheiro. Ela simplesmente coloca seus personagens em situações nas quais o dinheiro importa.
Então, isso faz com que o leitor perceba como as condições materiais influenciam as escolhas pessoais.
4. A reputação podia mudar completamente a vida de uma mulher
Em seus romances, as pessoas estão constantemente observando umas às outras.
Quem chegou acompanhado? E Quem conversou com quem?
Quem se comportou de maneira inadequada?
Hoje pode parecer exagerado, mas a reputação tinha um peso enorme naquela sociedade, principalmente para as mulheres.
Por isso, muitos dos conflitos de Austen acontecem não apenas pelo que os personagens fazem, mas pelo que os outros pensam que eles fizeram.
É uma das razões pelas quais seus livros têm tantos bailes, visitas, conversas, cartas e encontros sociais.
Esses momentos eram também espaços onde relações eram construídas, informações circulavam e reputações eram formadas.
5. Suas personagens não são perfeitas — e talvez seja justamente por isso que continuam interessantes
A autora não criou mulheres perfeitas.
Elizabeth é inteligente, mas também se engana.
Emma é confiante, mas interpreta situações de maneira equivocada.
Anne Elliot, de Persuasão, carrega arrependimentos e dúvidas.
Marianne, de Razão e Sensibilidade, é intensa e impulsiva.
Cada uma delas precisa aprender alguma coisa ao longo da história. E talvez seja justamente isso que faça essas personagens continuarem próximas dos leitores.
Elas não sabem tudo.
Elas mudam, erram e precisam rever suas próprias escolhas.
Isso torna seus conflitos muito mais humanos do que simplesmente atuais.
O que Jane Austen realmente queria dizer sobre as mulheres?
É tentador transformar qualquer autora do passado em uma personagem moderna. Mas precisamos ter cuidado, pois ela viveu em outro período histórico, dentro de outras estruturas sociais e culturais. Não faz sentido simplesmente colocar nela ideias contemporâneas.
O que podemos fazer é observar aquilo que seus romances mostram.
Austen escreveu sobre mulheres que precisavam negociar suas escolhas dentro das possibilidades disponíveis para elas. E fez isso usando uma ferramenta poderosa: a ironia.
Ela não precisava dizer diretamente que determinado comportamento era absurdo.
Às vezes, bastava mostrar uma personagem falando ou agindo de determinada maneira e deixar que o leitor percebesse a situação.
É parte do que torna sua escrita tão interessante.
Por qual livro de Jane Austen começar?
Se você nunca leu Jane Austen, não precisa começar necessariamente pelo livro mais famoso.
Se você gosta de romance:
Comece por Orgulho e Preconceito. É provavelmente a porta de entrada mais fácil para conhecer Elizabeth Bennet e Mr. Darcy.
Se gosta de histórias sobre personalidade e amadurecimento:
Experimente Emma. A protagonista é inteligente e bem-intencionada, mas nem sempre entende corretamente as situações que tenta organizar.
Se prefere uma história mais melancólica:
Leia Persuasão. É um romance mais maduro e marcado pela passagem do tempo, pelo arrependimento e pelas oportunidades que parecem ter ficado para trás.
Se quer começar por algo mais curto:
A Abadia de Northanger pode ser uma escolha interessante, especialmente para quem gosta de histórias que brincam com os próprios clichês da literatura.
Por que ainda vale a pena ler Jane Austen?
Talvez a melhor resposta seja simples:
porque os problemas mudam de aparência, mas as pessoas continuam sendo complicadas.
Continuamos julgando, interpretando mal algumas situações, preocupados com o que os outros pensam e tentando conciliar aquilo que queremos com aquilo que esperam de nós.
E continuamos tentando descobrir quem realmente somos.
É claro que a vida de uma mulher no século XXI é muito diferente daquela vivida pelas personagens de Austen. Mas literatura não precisa reproduzir exatamente a nossa vida para conversar conosco.
Às vezes, basta reconhecer alguma coisa de nós mesmas em uma personagem que viveu dois séculos atrás.
E talvez seja esse um dos motivos pelos quais Jane Austen continua sendo lida.
Não porque suas personagens sejam iguais às mulheres de hoje. Mas porque elas continuam nos fazendo pensar sobre nós mesmas.
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Até o próximo texto do Ninho de Ideias.
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